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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Fifa se irrita e pede agilidade a Dilma

Entidade faz apelo à presidente para que cumpra o prometido em termos de leis e libere verbas para as obras


A Fifa se irrita com a presidente Dilma Rousseff e apela para que implemente o que prometeu em termos de leis para a Copa e libere os recursos que havia anunciado para as obras do Mundial de 2014. Para cartolas consultados pelo Estado em Zurique, a avaliação é unânime: o governo é o maior obstáculo hoje para o Mundial. "O governo brasileiro tem dinheiro e está sentado sobre ele. Mas não quer soltar"", atacou Rafael Salguero, membro do Comitê Executivo da Fifa.

Ontem, a Fifa e a CBF iniciaram as negociações finais para estipular o formato da Copa. Nos debates, a Fifa deixou claro que a relação com o governo está em seu ponto mais baixo e cartolas declaram abertamente o descontentamento com Brasília.

O motivo foi o envio ao Congresso de uma Lei Geral da Copa diferente da que havia sido estabelecida com a Fifa no início do ano. Em fevereiro e março, advogados da entidade consultaram o projeto de lei que havia sido desenhado e deram sinal verde. Quando o governo o enviou ao Congresso, meses depois, o projeto havia sido modificado.

Há duas semanas, Dilma se reuniu com o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Segundo fontes em Zurique, Valcke aceitou o que Dilma ofereceu, principalmente na garantia de contratos de marketing, exclusividade de patrocinadores e televisão. "O problema é que até agora a Fifa não recebeu nenhuma indicação de como isso será transformado em projeto de lei e nada andou"", se queixou uma fonte próxima às negociações.

Ao Estado, a Fifa confirmou que saiu satisfeita do encontro com Dilma. Mas já se preocupa com a falta de ação. A entidade e a CBF sofrem para falar com o Planalto e querem saber quando ela volta da África, na esperança de ter uma resposta. Se não bastasse, a crise envolvendo o ministro Orlando Silva fechou o único canal de comunicação que existia com o governo. "Não sabemos nem a quem ligar"", afirmou um cartola estrangeiro.

Valcke revelou a pessoas próximas a ele que a queda de Silva não seria ruim, pois ele não estava atendendo aos interesses da Fifa. Mas, ao mesmo tempo, acha que um novo ministro pode trazer problemas, pois poderia chegar com ideias que batam de frente com as da entidade.

Apesar da crise, quem não abre mão de ir até de assistir de perto as decisões sobre a Copa é o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Ele vai largar tudo para acompanhar o evento da Fifa na quinta-feira em Zurique. Queiroz foi o antecessor de Silva e também está sob suspeita de irregularidades.

A CBF e a Fifa, porém, acreditam que haverá uma solução nos próximos dias em relação às entradas para a Copa e o consumo de bebida em estádios.
Dinheiro. Outra queixa da Fifa é quanto às promessas de recursos públicos para as obras. A entidade e a CBF atacam o fato de o governo estar dizendo que libera verbas e empréstimos, mas alegam que isso não é a realidade. O resultado seria um atraso nas obras de infraestrutura.

"Pelo que vejo, está tudo em ordem em termos de preparação. O problema está no governo"", disse Salguero. "O problema não está na CBF"", disse o presidente da Conmebol, Nicolas Leoz, questionado se apontava o governo como o obstáculo.
JAMIL CHADE / ZURIQUE , - O Estado de S.Paulo


Por que nosso governo ainda não acordou para a chance que tem nas mãos? Tudo que tem a fazer é ter um bom plano de estratégia e se dedicar um pouco, mas infelizmente nossos governos passam mais tempo se defendendo de acusações de escândalos do que trabalhando pelo desenvolvimento do país.

Assim como a FIFA, os brasileiros também estão irritados e envergonhados, no país em que o futebol é inspiração para o resto do mundo, os políticos não se importam e deixam tudo as custas das improvisações.

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