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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Batalhão de Fronteira em Marechal Cândido Rondon




A decisão do governo estadual de construir o Batalhão de Fronteira em Marechal Cândido Rondon tornou-se uma espinha de peixe entalada na garganta de certas lideranças e autoridades, principalmente de Cascavel e Foz do Iguaçu. Criticam o governador por acreditarem que Beto Richa teria tão somente atendido ou prestado um favor político ao deputado estadual rondonense Elio Rusch, o que não é verdade. Evidentemente que o parlamentar de Marechal Cândido Rondon está colhendo os frutos do anúncio da construção do Batalhão de Fronteira, mas afirmar que a escolha da cidade rondonense como sede da unidade desconsiderou todos os critérios técnicos não passa de conversa fiada.


Primeiro que, ao anunciar a construção do Batalhão de Fronteira em Marechal Cândido Rondon, o governador não fez nada mais do que cumprir um projeto de lei de autoria do deputado Elio Rusch, que havia sido aprovado pela Assembleia Legislativa já em 1998. De fato, quando o projeto foi para votação, todos os critérios técnicos foram devidamente discutidos e todos os deputado à época concordaram ser Marechal Cândido Rondon o lugar ideal para a sua implantação. E, se há 13 anos o Batalhão de Fronteira já se fazia necessário, hoje em dia, com o crescimento assustador do contrabando e o tráfico de drogas por toda a extensão do Lago de Itaipu – e não só mais em Foz do Iguaçu e Guaíra -, nada melhor do que instalar um grande grupamento policial praticamente no meio de toda essa região fronteiriça.


Há que se considerar que embora sediado em Marechal Cândido Rondon, o Batalhão de Fronteira contará com duas companhias localizadas em Guaíra e também em Santo Antônio do Sudoeste. Além disso, as próprias cidades de Foz do Iguaçu e Cascavel, que se julgam extremamente prejudicadas pela decisão e “esquecidas” pelo governador Beto Richa, foram também contempladas no grande projeto de combate ao crime organizado que está sendo implantado na região pelo atual governo do Paraná. Cascavel vai sediar o comando regional da Polícia Militar, enquanto a cidade das Cataratas vai ser contemplada com uma unidade descentralizada do Grupamento de Aviação Operacional. É preciso lembrar que, nestas duas cidades, já são grandes as forças policiais Civil, Militar e Federal lá instaladas.


Quando do anúncio do Batalhão de Fronteira, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Marcos Teodoro Scheremeta, foi claro ao resumir as motivações do governo estadual ao redesenhar as forças policiais nesta porção do Paraná. Disse ele: “ter um Batalhão de Fronteira, num modelo diferenciado de operações especiais com uma fração já no Noroeste e no Sudoeste, junto com o comando regional de Cascavel e o grupamento aéreo fortalecendo Foz do Iguaçu, permite começar a fechar e fazer uma blindagem da fronteira do Paraná. Vemos essa ação com muita satisfação, porque mostra a preocupação do governo Beto Richa em cumprir compromissos e principalmente dar à população além da sensação de segurança, uma segurança efetiva real, que é o que a população realmente precisa e quer”. 


Menosprezar o que o próprio comando da Polícia Militar do Paraná diz sobre o Batalhão de Fronteira e afirmar que o governador agiu errado por não instalá-lo em Foz do Iguaçu ou Cascavel é desvirtuar a realidade. Pior ainda é afirmar que Beto Richa tomou uma decisão política ao decidir por Marechal Cândido Rondon. Embora bastante jovem, o governador tem dado mostras de ser um político sensato, que foca ações na conjuntura e não em questões pontuais. Também já deixou claro que não costuma dobrar-se a pressões políticas. Assim, é fácil constatar que Beto Richa teria, sim, agido politicamente se tivesse optado por implantar o Batalhão de Fronteira em Cascavel ou Foz do Iguaçu, cidades que possuem um número de eleitores cinco ou seis vezes maior do que Marechal Cândido Rondon. Preferiu eventualmente desagradar um número maior de eleitores num primeiro momento, mas apresentar resultados efetivos no combate á criminalidade à longo prazo tomando uma decisão técnica.


E quanto ao deputado estadual Elio Rusch, cabe a toda comunidade regional aplaudir esta conquista, resultado de um trabalho incansável do parlamentar rondonense, que já em 1998 percebeu a crescente onda de violência na região e foi atrás de uma solução, propondo e trabalhando insistentemente pela criação do Batalhão de Fronteira. E havemos de concordar que ninguém pode criticá-lo por isso. Então, que fique o exemplo para todos os demais políticos que erroneamente estejam se sentindo desprestigiados pelo governador.


Texto publicado como Editorial da edição do jornal O Presente

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