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sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Charles Bukowski: O Grande Velho Safado
Uma das vozes mais originais do século 20 da literatura americana, Charles Bukowski (1920-1994) viveu e escreveu na beira da sociedade. Com inabalável honestidade e linguagem forte, seus poemas e contos falam da vida nas ruas de Los Angeles entre as prostitutas, bêbados, jogadores, e proscritos lutando para sobreviver em um mundo implacável. Ao contar essas histórias, Bukowski escreveu sem artifícios, em linguagem simples e natural, repudiando as convenções formais da criação literária. Ele se esforçou para manter sua escrita "cru, fácil e simples", para compreender a "linha dura e limpa, que o diz."
Nascido em Andernach, na Alemanha, Bukowski emigrou com seus pais para os Estados Unidos quando criança, e a família se fixou em Los Angeles. Um forasteiro perpétuo da escola, ele escapou das dificuldades da vida com um pai abusivo e mãe passiva, abandonou sua casa na adolescência. Vagando de uma casa barata para outra, viveu entre aqueles à beira da sociedade, trabalhando em uma série de empregos braçais.
Sempre lutou para tornar-se um escritor, bebendo muito, quase morria de fome quando o dinheiro acabava, mas sempre captando a sua vida e as histórias das pessoas à sua volta em seus escritos. Inicialmente publicava em revistas pequena de poesia, se tornou um escritor culto com uma seqüência enorme de fãs, cujas vidas ele tocou.
Charles Bukowski é um escritor único. Escatológico, melodramático, cínico, marginal, solitário, sensível, antiacadêmico, anti-grupos literários, lírico, alcoólatra, machista, politicamente incorreto, anarquista e um grande escritor. Perdeu os melhores anos de sua vida se entorpecendo, vagabundando, morrendo e odiando a tudo e a todos, menos as bebidas, as putas e os bares. E a verdade de Buk é o dia-a-dia da classe trabalhadora norte-americana. Seus subúrbios, suas brigas, seus sonhos, suas palavras. Nos seus personagens simples, complexos e por isso mesmo tão reais, vê-se a decadência do american way of life. Um país tão rico e orgulhoso de si que tenta esconder seu lado escuro, sujo mesmo.
A literatura de Charles Bukowski entra neste contexto, narra a vida das pessoas comuns: Que trepam, que se ferram pra pagar aluguel, que bebem, que trabalham ou não são inteligentes ou cultas a ponto de serem vencedoras na sociedade. Tanto que analisando criticamente a literatura bukowskiana, pode-se dizer que os livros dele são em sua grande parte iguais, tanto o estilo narrativo cru, tosco e por aí chegando ao poético. Até as histórias, sempre narrando a vida dessas pessoas, no caso sempre ele, centralizador dos sentimentos e do estilo de vida pelo qual essas pessoas marginalizadas vivem.
E esse estilo todo pessoal dele fez com que o cinema também retratasse o universo de Buk nos filmes "Crônica de um amor louco", cult nos anos 80 no Brasil do genial diretor italiano Marco Ferreri, e "Barfly- Condenados pelo vício", de Barbet Schroeder. O filme de Ferreri é mais profundo, mais escatológico, mais bukowskiano, no entanto os dois filmes retratam com
maestria a decadência dos subúrbios e o lirismo bêbado dos livros de Buk.
Enfim, nós, os leitores de Charles, somos como mulher de malandro. Somos agredidos, apanhamos das palavras ácidas dele, mas queremos mais. Não há como se sentir maltratado e intrigado ao ler nos romances de Buk diálogos como esses:
"- Eu odeio pessoas, você não?
- Não. Só quando elas estão perto de mim"
"A diferença entre a vida e a arte é arte é mais suportável."
"Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas."
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